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Saudade ainda é a palavra de ordem. (ou um post bem mimizento)

novembro 13, 2012

Eu não sinto saudades apenas de Toronto e das pessoas que conheci e convivi por lá. Sinto saudades da Tatiana que eu conseguia ser quando estava lá. Eu tive meus momentos de calundú também, não vou mentir, mas algo naquela cidade me fazia diferente.

Difícil explicar sem parecer aquelas esnobes que odeiam o seu país. Até porque essa não sou eu. A viagem fez eu inclusive ter mais orgulho de onde vim e de onde consegui chegar. Só fiquei um pouco mais intolerante com o que leio e ouço na mídia. Tenho evitado dar opiniões sobre qualquer coisa para não arranjar brigas desnecessárias. Essa política que parece mais torcida organizada de futebol tem me dado nos nervos. Parece que ninguém mais consegue ler as entrelinhas, acreditam e compram porque o canal X, a revista Y disse que ouviu e pronto. Melhor parar por aqui.

Talvez uma das minhas angústias seja ter saído do Brasil com a certeza que iria querer voltar porque aqui é meu país, meu lugar, e de repente ter me deparado com um lugar que me agradou, do qual em pouco tempo me senti parte. Mesmo sabendo que a realidade que ali vivia é bem distante da que vivo aqui. Ao contrário de boa parte de quem vai estudar/trabalhar fora, eu tinha uma vida mais confortável em vários aspectos. Não ter que me preocupar e faxinar uma casa, de ficar doente porque estava coberta por um plano de saúde, por exemplo. Por outro lado não são esses detahes que me fazem querer voltar, porque se eu conseguir retornar não vou ter essa boa vida. Vai ser para estudar e trabalhar, (re)construir.

Toronto é uma cidade apaixonante porque é aberta ao diferente. Porque precisa ser e porque faz parte da sua cultura. Sinto falta da gentileza, das diferentes culturas. Sinto falta até do TTC. TTC é o sistema de transporte que todo canadense reclama muito mas que eu achava ótimo. Tudo bem que eu morava a 3 estações da escola.

O fato é que estou decidida a não reprimir essa vontade de retornar. E ser objetiva. Tenho um plano traçado, sei os cursos que gostaria de fazer e estou começando a organizar uma planilha para saber exatamente quanto isso significa em dinheiro. Sei que é muito e no momento nem emprego tenho. Talvez não dê em nada, talvez nunca mais pise no Canadá, talvez só consiga retornar a passeio. Contudo  percebi nessa viagem que tenho capacidade de organizar minha vida, coisas que eu achava que só conseguia fazer para outras pessoas. Também aprendi que não preciso comprar tudo e me sentir mal porque não posso consumir o tempo todo. O pouco $ que recebo por mês tem sobrado. Antes com o trabalho e essa grana extra sempre faltava.

Outra coisa boa é o curso de tradução que estou fazendo. Está sendo melhor que eu esperava e muito mais difícil também mas cada vez tenho mais certeza que esse é um caminho que quero seguir. E me pego pensando porque eu nunca pensei nisso antes. Se pudesse voltar no tempo falaria para a Tatiana de 18 anos parar de tentar vestibular para Direito e Jornalismo e forcar em Português/Inglês. Só me custou tempo e dinheiro perdido em taxas.

Sempre acredito que meus textos soam como de uma adolescente mimizenta e não como uma mulher adulta de quase 35 anos. E de certa forma acho que é bem por aí. Muita coisa não amadureci nessa vida. Chego ao final pensando que talvez a saudade da Tatiana que ficou em Toronto aconteça porque vi nela uma coragem que por algum motivo que não sei explicar não consegue aflorar aqui desse lado da linha do equador.