Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Uma verdade sobre transição capilar

agosto 21, 2016

Em meados de 2012 decidi que queria usar meu cabelo da forma como ele nasce, isso significou abandonar os alisantes, relaxantes, tinturas e apliques de cabelo humano. Nunca tive problemas em fazer …

Fonte: Uma verdade sobre transição capilar

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Hope: quando um episódio faz você escrever

abril 16, 2016

Estava aqui tentando evitar o mundo porque a vida já num anda fácil e comecei a colocar os episódios de Black-ish em dia. Para quem não sabe Black-ish é uma série da ABC americana que tem como tema central a vida de Andre, sua mulher Rainbow (yes, Rainbow) e seus 4 filhos. Eles são uma família negra e rica. No piloto Andre se dá conta que seus filhos não tem noção do que é ser negro, ou dependendo do ponto de vista, de como um negro deveria ser. E começa a entrar em conflito com a maneira que ele e a esposa vem criando as crianças. Daí o sufixo ‘ish’  que traduzido de uma forma bem informal significa ‘mais ou menos’. A série está na 2a temporada e vem ganhando espaço por tratar de temas fortes sem perder o humor. O episódio mais falado até aqui foi Hope (Esperança) que mostra a família reunida assistindo a mais uma caso de brutalidade policial contra um negro e como tratar desse assunto.

Assistindo ao episódio por razões óbvias eu me vi representada em vários momentos e acabei pensando na situação que nos encontramos hoje (a válvula de escape falhou) às vésperas de um possível impeachment que, na minha opinião, não deveria acontecer e que poderá trazer ainda mais conflitos. Bow, a mãe, tenta fazer a voz da esperança mas vai passando o tempo e a esperança dela vai ruindo porque por mais que ela tente racionalizar tem jogado na cara os mesmos erros e as mesmas injustiças deixando difícil acreditar que houve uma melhora. Dre, o pai, que teve uma vida muito mais difícil não consegue olhar nada sem raiva porém no final vai amolecendo. E ambos veem nos filhos a esperança que talvez as coisas mudem sim. Isso me tocou tanto que eu resolvi escrever porque eu comecei a pensar em ‘tudo isso que taí’.

Eu sou a mistura desses sentimentos. E acredito que foi isso que o episódio tentou passar. Seja em relação ao racismo, a brutalidade policial, a homofobia e a situação política do meu estado (esse RJ falido, porém lindo) e do meu país, venho sentindo uma desesperança que só faz crescer. Vejo ódio nas pessoas e cada dia que passo me contamino por ele. Porque fica difícil ter esperança vendo uma manipulação de quem tem o poder da comunicação nas mãos. Fica doloroso ver pessoas com as quais você conviveu defender políticos que são contrários a melhorias que mudaram a vida de muita gente, inclusive a sua. Políticos que dizem coisas como preferir um filho bandido que um filho gay. Políticos que defendem que a solução é matar e não tentar mudar. Políticos que pedem a volta de uma período vergonhoso da nossa história que se retornar esse meu texto deixa de ser uma desabafo e passa a ser uma carta de confissão. Políticos que tiram a cada dia direitos das mulheres em nome de suas crenças, ou melhor, usando isso como desculpa. Raiva de ver que preferem no poder políticos comprovadamente corruptos no lugar de uma presidenta (com ‘a’ mesmo porque sou dessas) que errou, errou feio, está colhendo por isso mas que não tem nenhuma acusação de corrupção nas costas. É difícil demais. Muitas vezes eu esbravejo que todos devemos mesmo morrer, que o mundo tem mais é que acabar e que merecemos passar por tudo de ruim e mais uma pouco para quem sabe aprender de vez a reclamar menos e a respeitar mais. E isso não falo só em relação ao Brasil porque a coisa tá péssima no mundo todo e não é por acaso que uma episódio falando de uma realidade num país que eu sequer pisei ter mexido tanto e ter tantas semelhanças.

Porém quando vejo as piadas, quando vejo meu afilhado sorrindo, quando vejopessoas que tem suas diferenças se reunindo no meio da rua tentando frear esse ódio, vai dando um alento. Ao ler mensagens dos amigos que são dessas pessoas que tem fé na humanidade tendo esperanças, quando penso na minha mãe que sempre teve palavras boas mesmo para aqueles que não a mereciam, no ex-professor (Bob Black) que lá do Canadá está preocupado com os alunos e amigos que tem espalhado por esse mundo passo a ter uma certa esperança que talvez ao menos essas pessoas terão a oportunidade de ver algo que eu talvez não veja por ter dificuldades de manter a esperança por mais tempo. Isso pode ser porque muito nova tive que lidar com perdas e mentiras  que me tornaram uma pessoa com dificuldades para crer. E aí lembro do episódio de novo porque uma das discussões era até que ponto os filhos menores deveriam tomar conhecimento que o mundo deles está longe de ser belo e que o simples fato deles serem negros pode os colocarem em risco. Porque esse ódio vem sendo passado para as crianças sim. E aí eu volto a perder a esperança. Enfim um textão desabafo, um textão confuso. Um textão para colocar para fora parte do que estou sentindo mas que vai para o mundo porque parece que perdemos a capacidade de guardar nossos sentimentos para poucos. E que só o tempo dirá se é bom ou ruim. A única certeza é que faz-se necessário brigarmos pelo direito de poder dizer.

3 anos

setembro 17, 2014

Tinha pensado em escrever um texto enorme sobre a decisão que tomei há 3 anos de parar de usar química nos cabelos, exceto tinta, e tudo que mudou em mim nesse tempo. Resolvi apenas postar fotos com legendas e algumas das mudanças. Duas dessas fotos foi uma libertação  postar para todo mundo ver.

 

A faixa escondendo a raíz crespa.

A faixa escondendo a raíz crespa.

 

 

O primeiro grande corte. Os olhos cheios d'água por não me reconhecer e me achar horrorosa e não me reconhecer. Nem acredito que estou postando.

O primeiro grande corte. Os olhos cheios d’água por não me reconhecer e ao mesmo tempo por sentir o mesmo pavor quando aos 9 anos me vi obrigada a cortar após um alisamento mal sucedido. Esse corte de cabelos aos 9 anos de idade foi um baque tão grande na minha autoestima que nem sei se recuperei totalmente.

1a semana em Toronto (maio de 2012).

1a semana em Toronto (maio de 2012).

 

Última semana em Toronto (agosto de 2012). Incrível o tanto que meus cabelos cresceram em 3 meses e eu só notei vendo as fotos.

Última semana em Toronto (agosto de 2012). Incrível o tanto que meus cabelos cresceram em 3 meses e eu só notei vendo as fotos.

 

Setembro de 2013

Setembro de 2013

2014, acho que agosto, qualidade bem ruim. Cara limpa e com os cabelos sem faixa, sem presilhas. Ainda não tenho coragem de usá-lo assim na rua.

2014 (acho que agosto). Cara limpa e com os cabelos sem faixa, sem presilhas. Ainda não tenho coragem de usá-lo assim na rua.

 

Tudo novo de novo

agosto 13, 2014

Poder pensar no futuro com mais tranquilidade. Poder planejar férias, cursos. Para muitos isso não é nada. Para mim era (quase) tudo que sempre quis. Há 2 anos eu estava num avião voltando para casa  sentindo uma mistura de medo, saudades de casa, saudades da cidade que meu acolheu por 3 meses. Nunca poderia imaginar que uma prova feita em 2010 seria a solução para boa parte das minhas preocupações. Agora é focar nos novos desafios. E também começar a contar os meses paras as férias. Canadá: me aguarde que 1 ano passa rápido. Vou saber qual é desse frio que tanto falam depois de quase morrer torrada.

 

beingEricastyle

Memórias de Chumbo – Brasil

março 31, 2014

Assistam.

“Você não vai ter filhos?”

março 5, 2014

Será que as pessoas nunca pararam para pensar que a “simples” pergunta “você não vai ter filhos?” além de inconveniente pode ser extremamente indelicada e cruel? Primeiro ponto: nenhuma mulher é obrigada a querer ser mãe. Segundo ponto: ter filhos e ser mãe são coisas bem distintas. Caso você não tenha nenhuma problema, ter filho é simples: você fica grávida e nove meses depois a criança nasce. O problema é que não é todo mundo quer ou se sente preparada para ser mãe. Ser mãe implica cuidar dessa criança que veio ao mundo sem ter pedido para nascer, como diria Lulu Santos. Eu passei todo uma vida querendo ser mãe porque eu confundia o “ser mãe” com “ter filhos”. Aí um dia eu comecei a questionar e decidi que é algo que não estou pronta e não quero para mim. Pode ser que eu mude de ideia, se eu demorar muito, esse filho não sairá de mim, mas será amado e cuidado porque ao tomar a decisão eu estarei pronta cuidar dele(a). Ou simplesmente eu posso continuar tendo a certeza que ser mãe é algo que não é para mim. E em que parte entra a crueldade da questão? 

Você já parou para pensar que pode estar fazendo a pergunta para uma mulher que está com dificuldades ou simplesmente não pode engravidar? E que essa pergunta “simples” pode fazer essa mulher sofrer ainda mais e sentir ainda mais pressionada? E o que nos dá o direito de questionar se alguém quer ou não ter filhos? Por que essa necessidade de questionar o outro por algo que não é da nossa conta?

Eu não sentirei falta de 2013. O ano do pesume.

dezembro 31, 2013

2013 foi um ano pesado. E eu não falo isso pensando em mim apenas porque pelo que notei ele foi difícil para quase o mundo todo. Tanto tumulto, tanta informação (muitas delas desnecessárias, outras totalmente deturpadas), tanto livro desnecessário, tanto chorume. Um ano onde atacar era a ordem da vez, não importando a quem ou o motivo. É isso que lembrarei desse ano.

Pensando apenas no meu próprio umbigo foi um ano que até os objetivos alcançados acabaram se transformando em problemas inesperados. Projetos que eram certos caíram por terra. Uma montanha-russa de sentimentos ruins que por vezes me fizeram pensar em desistir de tudo. Coisa que há muito não acontecia e que eu julgava superado. Tenho por hábito tentar me concentrar no que foi bom. É nisso que tentarei focar e ser grata nessa virada do ano. No entanto até nos seus últimos minutos 2013 faz questão de tornar esse hábito difícil. O lado bom é que tá acabando. Vale ressaltar quem 2013 trouxe algumas pessoas legais a minha vida e nisso tenho que agradecer. E me trouxe Antonio, afilhado lindo que preciso ver mais em 2014.

Minha meta principal para 2014 era passar férias em Toronto, o que não será possível. Então estipulei uma meta mais real: voltar a natação. Nadar foi algo que aprendi em 2011 (ou 2010?). Um hábito que não pude manter e quero voltar. 40 minutos na piscina me faziam colocar a mente no lugar e para que meus objetivos em 2014 deem frutos preciso da mente quieta, espinha ereta e o coração tranquilo. Claro que ganhar no bolão da MegaSena tamanha seria de grande ajuda. R$100.000 estava bem bom. Cem mil reais mesmo. Não errei nos zeros. No momento é a quantia que preciso para o que quero fazer. Isso, saúde e um visto canadense. Também será em 2014 que terei mais um profissão para chamar de minha e espero conseguir trabalho na área. Não aguento mais essa vida de me formar em algo mas acabar trabalhando em outra coisa porque preciso sobreviver. Quero tanto que até voltei para o Facebook para ficar de olho nas oportunidades de emprego que por algum motivo que não pode ser divino me fazem retornar a essa rede social encantadora. É a vida.

Desejo a todos muita saúde em 2014. E que a vida seja boa e que aqueles que vocês amam sempre estejam bem e por perto. E aqueles que só servem para encher o saco sumam das suas vidas (mesmo que essa pessoa possa ser eu. risos). 2014 não vai ser calmo para quem está no Brasil porque ano de eleição e Copa do Mundo sempre é um festival de chorumes desnecessários. Imagina com a Copa sendo no nosso quintal. Desejo que consigamos tirar diversão disso tudo. Mesmo aqueles que odeiam futebol consigam se divertir com as piadas que virão. Elas serão muitas. 2013 foi um ano de piadas ruins, que 2014 melhoremos nisso também. Beijo no ombro.

PS: chorume, pesume são palavras que amo. Aí lembrei que crocante também é uma palavra incrível, como diria Fred. A coisa mais escrota de 2013 foi ter arrancado o Fred da minha, das nossas vidas.

 

Mais um texto sobre meus cabelos

dezembro 12, 2013

2 anos e 3 meses depois da decisão de parar de alisar os cabelos ainda descubro a cada dia a melhor maneira de cuidar deles. Optei por tentar gastar o menos possível e cuidar deles eu mesma porque ir a salão tá no top de coisas que detesto. Nesse período eu fui ao salão apenas 1 vez: cortei e fiz uma hidratação. Já deve ter 1 ano. Eu mesma tenho cortado as pontinhas do meus cabelos.

Não vou mentir: dá muito mais trabalho manter os cabelos crespos e conforme ele vai crescendo o trabalho vai aumentando. Nos dias quentes então tenho vontade de morrer porque meus cabelos parecem odiar o verão tanto quanto eu. Eles ficam ressecados, perdem os cachos e ficam meio cinza. Resumindo: ficam uma bosta. Nesse caso não posso dizer que é a falta do alisamento porque era igual. E ainda tinha o agravante que o alisamento “acabava” mais rápido. Era inviável não lavar os cabelos todos os dias e o ideal seria não fazê-lo.

Uma outra diferença é o tempo para desembaraçar. Jesus, Maria, José, o camelo e todos os Los Hermanos. Tem que se ter paciência. Preciso de no mínimo 30 min embaixo do chuveiro para tirar tirar cara nó.Nó?! É gente: nó. Meus cabelos são muito finos e qualquer coisa faz ele virar um ninho. Porém nem tudo é “tristeza”. Eu continuo gostando muito da independência que não alisar os cabelos me dá. Saber que posso viajar pelo tempo que for sem me preocupar em ter um cabeleireiro por perto. Também já acostumei mais um pouco com meu visual.  Mudar de liso para crespos vai além do visual, principalmente para quem passou mais de 30 anos “sendo lisa”. Ainda tenho certos medos, ainda acho que posso não conseguir certos empregos etc. Escutar e ler coisas como “cabelo black/crespo é algo exótico, algo dos anos 60” não ajuda em nada. Bate aquela neura. Os elogios dos amigos ajudam a levantar a cabeça.

Um dos produtos que tenho gostado muito são os do Beleza Natural. Comprei o Pentear Levíssimo + o creme de tratamento de babaçu + o condicionador e shampoo da linha ar. Estou certa que serão meus produtos para enfrentar o verão. O Mixed Chicks vai ficar guardado para quando o inverno chegar. Outro produto que tem funcionado é o umidificador de cachos da Elsève. E olha que L’oréal costuma deixar meus cabelos uma bosta. O spray para pentear cachos da TreSemmé também funcionou bem (o resto da linha deles deixou meus cabelos horrendos), mas nada se compara ao twisted sista 30 Second Curl Spray para fazer os cachos surgirem sem precisar molhar. Só que estou economizando cada gota porque não vou mais viajar e não poderei trazer um estoque. 

Abaixo 3 fotos mostrando como meus cabelos mudaram nesse último ano.

Maio de 2012

Maio de 2012

Agosto de 2012

Agosto de 2012

Setembro de 2013

Setembro de 2013

É o tempo de uma gestação

novembro 9, 2013

Daqui a exatos 9 meses estarei em Toronto. Depois de muito pensar, fazer conta, chorar, desistir, ter raiva do mundo, etc resolvi que economizarei cada centavo e passarei minhas férias no Canadá. Isso só será possível porque Pauline irá me hospedar e minha madrinha me deu a passagem de presente. Será uma viagem para rever a cidade pela qual me apaixonei perdidamente. Também usarei esses 20 e poucos dias para ver se poderei voltar para ficar mais tempo. Tentar “sentir” se é isso mesmo que eu quero e o que preciso fazer, além de juntar dinheiro, para realizar esse projeto.

Controlar a ansiedade só não será mais difícil que economizar dinheiro. Os amigos que já me veem pouco me verão menos ainda porque as saídas serão reduzidas ainda mais. Esse também será um período para trabalhar a minha entrada do mercado de tradução. Meu curso termina em 3 meses. Passando na prova poderei dar início a essa nova fase da vida.

Meus seriados estão muito bem, bem abandonados. Não ando assistindo muita coisa. No máximo o que passa na TV. Assim mesmo tenho me dedicado mais a reprise de Água Viva que qualquer outra coisa. Doctor Who e Torchwood também tenho reassistido com frequência. Dos seriados novos somente The Blacklist tem prendido minha atenção. Comecei a assistir pelo James Spader mas estou curtindo a história, apesar da peruca horrenda da protagonista. Ninguém fazia perucas tão bem como em Alias. Também tenho acompanhado Pé na Cova. O texto do Falabella tem estado incrível. É uma série que me acalenta.

Emocionalmente tudo tem estado a montanha-russa de sempre. Sentimentos que prefiro não escrever, apenas guardar. A saudade do Fred está entre elas. Há momentos que esqueço o que aconteceu. Cheguei a quase separar um presente de aniversário para ele na livraria. Aí me dei conta. 

Não ando uma amiga muito presente também. Meu afilhado tenho visto por fotos. A vontade de sair de casa é quase nula. Um cansaço físico e emocional daqueles. Meu aniversário está chegando, são quase 36 anos nesse mundo, há momentos que acredito estar mais perdida do que nunca, há dias que acho que tudo está como deveria estar e devo ser feliz assim.